Ricardo Avelar, o Zimbo, era um jovem surfista com
um futuro brilhante quando um grave acidente encerrou sua carreira. Amargurado,
há mais de quarenta anos vai à praia e passa o dia observando o mar. Ao longo
das horas, sente o impulso de cair na água e mostrar como um verdadeiro
surfista domina as ondas. Mas sempre fracassa. Além da frustração de voltar
para casa sem surfar, Zimbo tem de lidar com um relacionamento conturbado com
Letícia, sua jovem namorada que não abre mão de uma vida agitada com os amigos.
Resta ao surfista relembrar as aventuras de seus
dias de glória enquanto cuida de sua prancha na areia. O difícil é conseguir
identificar o que é realidade e o que é fantasia em suas lembranças.
Com um texto divertido e cheio de referências aos
anos 1960 e 1970, Cowabunga é surpreendente desde seu título, que remete a um
grito de guerra dado pelos surfistas. Ao final da leitura, você terá feito um
novo amigo e talvez até descubra seu lado surfista. Prepare sua prancha e prove
que sua técnica está apurada para deslizar pela vida tumultuada de Zimbo.
Editora: Benvirá
Gênero: Ficção,
Drama
Ano: 2013
Páginas:160
Nota: 4/5
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Cowabunga!: Desventuras de um
ex-surfista
Glória e decadência na jornada de um homem rumo
ao fim
Zimbo
é a típica representação do anti-herói. Um passado glorioso; um presente
decadente; um futuro inexistente. Sua personalidade é dúbia, obscura. Ao mesmo
tempo em que se mostra arrogante e cínico, demonstra, sem querer, uma
fragilidade infantil, e um medo quase irracional. Ana Paula Seixlack criou um
personagem extremamente complexo e bem construído. Tão bem construído que Cowabunga passaria fácil como uma
biografia de uma pessoa real, e eu ainda tenho uma desconfiança que a autora se
inspirou em alguém existente para criar um personagem tão verossímil. Zimbo é
detestável e carismático, os dois ao mesmo tempo, e é impossível não se
envolver com sua história.
O
livro se passa no tempo presente, quando Zimbo já é um senhor em “idade
avançada”, contudo, Ana mescla lembranças, desde a infância do protagonista até
a glória como surfista profissional, a incertezas do presente de Zimbo.
A
vida de Zimbo não tem sentido. Ele mantém um relacionamento que há muito chegou
ao fim. Mantém uma pose de jovem surfista galanteador na qual já não se encaixa
mais.
A
escrita de Ana Paula e leve, inteligente, e sem deslizes. Descreve os
acontecimentos de forma bem humorada, sem pender para o pastelão em momento
algum. A história de Zimbo é um drama, triste, mas é contada de uma forma que
consegue arrancar risadas em meio às desventuras na vida do ex-surfista.
Contudo,
apesar de todas as qualidades já descritas, o que mais me impressionou na obra
foi o trabalho de pesquisa implícito em suas páginas. A autora nasceu no ano de
1986, mesmo ano que eu nasci, ainda assim descreve com maestria detalhes
corriqueiros passados décadas antes de seu nascimento. Além disso, fala do
universo do surf com muita propriedade, reproduzindo gírias e termos técnicos
do esporte que deixam a narrativa absolutamente verossímil, independente da
época em que se passe cada parte do livro.
Cowabunga é um livro bem escrito. Uma história bem
contada. Uma biografia instigante e uma diversão garantida.
Ana
Paula Seixlack tem um grande futuro como escritora, e conseguiu me conquistar
com uma obra que passa longe do tipo de leitura pela qual tenho predileção.
Leia
e tire suas próprias conclusões.