Tag Empoderamento Literário


Oi gente, tudo bem?

Geralmente eu não falo de outros temas que fujam muito do universo fictício aqui no blog. Mas dessa vez não dá pra calar, pois essa semana foi tensa. Em uma única semana tivemos um homem que fez apologia explicita a estupro em rede nacional, sendo recebido pelo novo Ministro da Educação para discutir o futuro da educação no país (ahã?). Isso seguido do estupro de uma menor, por mais de trinta homens, e agora temos que engolir tantas pessoas culpando a jovem, dizendo que ela pediu, alegando que ela era uma 'puta', bandida, que 'dava pra geral', e coisas do tipo. A questão é que nada disso importa! Se ela fez ou deixou de fazer as coisas que estão falando não deveria ter relevância no caso. NADA JUSTIFICA ESTUPRO! Uma mulher pode andar pelada na rua, que não justifica ninguém vir toca-la! E para fechar essa semaninha dura de engolir, temos a acusação de agressão que a atriz Amber Heard fez contra o marido. E novamente temos uma mulher desacreditada e ridicularizada na rede (mundial), porque o marido dela é nada mais nada menos que o queridinho de Hollywood e do mundo, Johnny Depp.

Bom, acho que estes casos refletem bem um tema que estourou nas redes socais nos últimos dias: A cultura do estupro. Se você é um dos muitos que acredita que isso não existe, dá uma olhadinha na definição e exemplos desse site aqui, e vai ver que retrata bem nossa sociedade atual.

Eu ando revoltada de ver que além de abusadas constantemente, as mulheres continuam a ser desacreditadas, ridicularizadas e taxadas de histéricas por essa sociedade machista na qual vivemos. O estupro é um dos crimes com mais impunidade do mundo, e só no Brasil, estima-se que a cada 11 minutos uma mulher seja estuprada. Isso sem entrar nas estimativas relacionadas a outros tipos de violência contra mulheres.

Bom, desabafei, sei, mas precisamos falar sobre Cultura do Estupro, precisamos falar sobre Discriminações (e não só contra mulheres), precisamos falar sobre isso tudo! E pensando nisso, a Aline, do blog Livros y viagens, criou a Tag Empoderamento Literário, como uma forma de abordar o tema e também mostrar como a literatura pode refletir a realidade. Sintam-se todos indicados, mas lembrem de dar os devidos créditos à Aline!

Vamos lá!


*Termos do feminismo retirados do Glossário da revista Capitolina.

1 - Sororidade: União e aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum. Um livro com duas personagens femininas que são muito companheiras.

Vou fugir um pouco da pergunta, e escolher não duas amigas, mas quatro! Uma das amizades mais lindas que já na literatura foi entre Mac, Emma, Laurel e Parker, da série Quarteto de Noivas. É realmente linda!


2 - Emponderamento: Processo de aquisição de ferramentas para combater nossas opressões. É quando nos tornamos mais fortes para desconstruir os papéis que nos impõem e para lutar por equidade. Personagem emponderada em um romance de época.

Amélia Hathaway é a segunda mais velha dos irmãos, e embora o mais velho da turma é um homem, e pelas regras da época deveria ser o chefe da família, é ela quem cuida de todos, não abaixa a cabeça e faz de tudo para garantir o melhor para a família.



3 - Machismo: Tipo de opressão que a sociedade patriarcal produz contra mulheres. Ele se expressa de diversas formas, das mais evidentes até as mais sutis. Cite um livro com personagens machistas.
Dominic é um livro que eu detestei por vários motivos, mas um deles foi o fato do protagonistas ser um escroto que fazia bullying e assediava a mocinha (que depois ainda namora com ele depois :o!).


4 - Slutshaming: Quando julgamos uma mulher por ter comportamentos “de vadia”, o que quer que isso signifique. Basicamente, é quando se ojeriza uma mulher por dispor de sua sexualidade e de seu corpo livremente. Cite um livro que você julgou pela capa antes de conhecer a história.
A menina que não sabia ler me enganou pela capa fofa e título bonitinho. Esperava um juvenil fofo, e me deparei com um dos melhores thrilers psicológicos que já li!



5 - Misoginia: Está relacionada a discriminação e violência contra as mulheres (cis ou trans), porém pessoas que não são mulheres, mas que foram designadas como mulheres ao nascerem (e que, pela leitura social cisnormativa, são lidas como mulheres) também podem sofrer com a misoginia. Um livro que aborde a violência contra a mulher.

Just listen foi um dos livros mais sensíveis que eu já li, e mostra o quanto é difícil para as vítimas de abuso se abrirem e denunciarem.


6 - Culpabilização: Ser mulher em uma sociedade machista é sentir culpa por tudo: por não querer transar, por não estar arrumada, por ter sido estuprada, por estar em um relacionamento abusivo. A culpabilização é o processo de ser culpada por todas essas coisas (e por muitas outras). Um livro com um relacionamento abusivo.

Não tem jeito, e minha resposta é a mesma da Aline. Um dos motivos de eu gostar tanto da série After é justamente o fato de retratar tão bem um relacionamento abusivo e disfuncional. Muitas vezes as pessoas não percebem que estão em uma situação assim.

7 - Girl Power: Poder Feminino. Cite autoras que são ótimas profissionais e criaram protagonistas incríveis.

Estas são algumas das divas!



Beijos

9 comentários

  1. Oi Bru, tudo bom?
    Muito feliz que você tenha conseguido responder a tag. Essa foi uma semana bem triste para as mulheres com tantos casos extremos de violência contra nós. Essa tag foi uma forma de trazer esse assunto para os blogs literários, pois todos precisamos falar sobre o tema. Adorei que você tenha escolhido a série O Quarteto de Noivas para responder a primeira pergunta porque acho a amizade dessas meninas muito inspiradora. Nossa, After é realmente um relacionamento que não desejo pra ninguém.
    Beijos,
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

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  2. Interessante a tag, um absurdo que esse tipo de coisa ainda acontece com as mulheres e tem gente que tira sarro e diz a culpa é delas, fala sério que mundo essas pessoas vivem, se fosse com elas ou algum conhecido delas quero ver se pensariam assim. Os livros citados, li Perdida e concordo a protagonista é incrível. Comprei a filha da floresta, mas ainda não li e só vejo elogios para a protagonista em Outlander também só elogios.

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  3. Impossível se calar diante de um assunto tão complexo, triste e ainda mais trágico heim?! As respostas para a tag foram muito bem escolhidas. A que eu mais gosto é a sororidade. Nós, mulheres, precisamos nos unir.
    Beijos, Fer (FECPRATES)

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  4. Heii Bruninha!
    Nossa, infelizmente vc tem razão essa semana foi tensa e o pior é saber que tem séculos de opressão e hoje a gente está discutido um pouco mais, e ainda encontramos tantas pessoas (homens e mulheres) que acham a discussão ridícula ou desnecessária.
    Não aguento mais ler comentários absurdos, sem base nenhuma e machistas, me da um odio enorme, mas tenho esperanças que vamos mudar, infelizmente será aos poucos, mas ainda tenho fé na humanidade.
    Beijos!

    Livros e Sushi • Facebook InstagramTwitter

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  5. Infelizmente, vivemos em um país patriarcal e extremamente preconceituoso com o nosso gênero. Precisamos mudar isso já! Adore a proposta dessa tag de mostrar mulheres como personagens fortes e trazer à tona autoras. Já me marquei e em breve respondei a essa tag! Também sou fã das personagens da Juliet Marillier *__*

    http://olhoscastanhostambemtemoseufascinio.blogspot.com.br/

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  6. Bruna, adorei essa Tag.
    Esse assunto tem que ser levado cada vez mais longe e não importa a maneira.
    A única que li foi Juliet Marillier e com certeza as personagens delas são incríveis!

    Lisossomos

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  7. Porque não fiquei surpresa por Dominic ter sido citado no machismo? (rs) Até esse foi sem dúvida o livro mais 8/80 (ame ou odeie) do Clube. A amizade criada pela Nora no Quarteto das Noivas é linda e deixa uma vontade de fazer parte do grupo. Julianna Costa é Girl Power total ♥

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  8. Oi, tudo bem?

    Nossa, quero MUITO fazer essa tag! Tipo, AGORA. Nunca a tinha visto e achei uma forma m a r a v i l h o s a de falarmos sobre o assunto! Já li A menina que não sabia ler e Just Listen. Nunca quis ler 50 tons e After justamente por causa da romantização do abuso incutido nesses livros. Não concordo com o fato de Perdida estar naquela categoria, porque a personagem é fraca e muito irritante. Outra personagem da Carina, a Luna (de No mundo da Luna), também é. Adoro chick-lits, mas é muito difícil encontrar histórias cujas protagonistas não são um estereótipo.
    Vou repassar essa tag pras minhas amigas blogueiras feministas, com certeza! *-*

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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  9. Amo essas garotas da série dos Hathaways, mas esse primeiro tem uma protagonista muito boa para o tema. Acertou em cheio.
    E de Outlander também acho a protagonista incrível, concordo com a escolha, além das autoras que são boas mesmo no que fazem.
    Muito legal a tag =)

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