“Um Cappuccino
Vermelho” é o livro de estreia de Joel G. Gomes. Um livro policial pouco
ortodoxo, nos apresenta duas personagens principais aparentemente
independentes. Escrito em 2002, apenas publicado em 2012.
Ricardo Neves tem
uma vida dupla. Por um lado é um assassino profissional implacável, sem
qualquer indício de hesitação, por outro lado, é um escritor de policiais. A
sua duplicidade começa a confundir-se quando um contrato o leva muito perto da
sua segunda vida.
O escritor João
Martins tenta escrever o seu quarto romance, em vão. Acaba por ter uma ideia a
qual começa a desenvolver, e acaba por se surpreender quando as pessoas à sua
volta começam a morrer exatamente como no seu livro. Será que tem alguma influência
no assassino?
Editora: Smashwords
Gênero: Thriller, Suspense, Policial
Ano: 2012
Páginas: 270
Nota: 5/5
Um Cappuccino Vermelho
Criador e Criatura se fundem e se confundem
Um
Cappuccino Vermelho é um livro intrigante. Inicia sua narrativa com Ricardo
Neves, assassino profissional e escritor em ascensão. Em principio o ofício de
matador fica em segundo plano, e o autor destrincha lentamente o gosto de
Ricardo pelo café, e todo seu conhecimento sobre a bebida. Apesar poder parecer
cansativo, essa parte do livro revela muito sobre o personagem, e lentamente
vamos nos aproximando dele e entendendo suas motivações para matar pessoas.
Ricardo
recebe uma nova missão, então acompanhamos seu modus operandi na execução de um
assassinato. A mente do protagonista é cheia de nuances e, ao mesmo tempo que é
convicto de suas escolhas, tem uma tremenda dificuldade de tomar decisões.
À
medida que a historia avança, conhecemos mais sobre o assassino/escritor,
acompanhando sua rotina em cada detalhe. Joel tem uma escrita que preza pelo
detalhismo, com longas descrições de acontecimentos pequenos. No entanto, o
livro não é cansativo, pois cada detalhe tem sua importância, e ajuda na
imersão do leitor na história.
Quando
duas de suas futuras vítimas desaparecem, Ricardo ficar perdido, e decide
passar para o próximo da lista. Aí surge uma femme fatale que pode mudar o modo de Ricardo de encarar a vida.
Narrado
em 3ª pessoa e escrito em português de Portugal, “Um Cappuccino Vermelho” traz
uma trama de suspense muito bem elaborada e instigante. A escrita é clara e
marcante, e Joel executa muito bem o ofício de incitar a curiosidade do Leitor.
Em
certo ponto da história, outro personagem é inserido, com uma jornada
independente, a principio, que nada se relaciona com a de Ricardo, exceto pelo
fato de ser escritor. Mas as histórias se misturam, e segue até o desfecho do
livro com uma dúvida entre o que é realidade e o que é fantasia.
Pontos
importantes são repassados quando necessário, e a tensão aumenta juntamente com
o clima de suspense. O caminho para o fim é bem conduzido e o final é muito
bom, fazendo o leitor fechar o livro e ficar se perguntando um sem-número de
coisas, pois as últimas páginas deixam mais perguntas que respostas.
Nesse
primeiro livro que li em português de Portugal tive uma grata surpresa, e já me
preparo para o próximo livro do autor, A Imagem, que pode ser baixado
gratuitamente em versão beta AQUI.
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